
És como a minha droga preferida, como se não tivesse noção do que faço apenas pelo prazer, pela ânsia de sentir o vício. Preciso que alguém me arranque, me puxe de ti com toda a força. Preciso que venha muita gente e corte toda a nossa história pela raíz. Preciso de uma reabilitação, já que nunca posso alcançar o esquecimento. Preciso de me reabilitar da imagem que ainda tenho do teu primeiro sorriso, da maneira como me encaraste e sem eu saber, sem eu ver, levaste atado ao teu o meu coração. Nunca mais o encontrei (...) E aí começaram as loucuras. Começaram os telefonemas, começaram os beijos, começou uma rajada de momentos que pareciam segundos. Até que do nada tu desapareceste. Voltei a ligar, nunca deixei de desejar. Sem obter resposta deixei uma mensagem, tinhas que saber a verdade. Tinhas que saber que me rendi a ti, que me entreguei a ti como nunca o tinha feito. Mas talvez não tivesses acreditado. Regressei aos nossos síteos, gritei num silêncio ensurdecedor pelo teu nome, voltei aos lugares onde a tua presença era óbvia. Mas nada, encontrava-te por vezes mas permanecias frio e quase inatingivel. Como um pedestal a que eu nunca conseguia chegar. E hoje acabou. Não acabou o sentimento. Acabou a força. Não acabou a paixão. Acabou a mágoa. Não acabou o desejo. Abafaram-se os sonhos. A culpa não é tua. Não só tua e apenas tua. Então eu tento ir para o mais longíquo lugar, procuro a minha cura. Mas por vezes, nas horas de fracasso, ainda te vejo a chegar, a abraçar-me. Vejo-te comigo. Passo horas e horas a pensar, a lutar contra ti. E tento fazer-me lembrar que eu sou mais forte e vou conseguir. E quando me vires, levantada e curada, na rua, simplesmente sorri. Mas não faças nada, não digas nada. Não tentes voltar, a porta de aberta passou a encostada e depois a completamente fechada. E não há janela que te salve.
