segunda-feira, 15 de março de 2010

Eu fui vivendo e procurando a razão do meu sorriso, fui procurando a razão do meu sangue não parar de correr pelas minhas veias, e pelos meus pulmões ainda conseguirem digerir o pior e mais poluído ar. Por a água entrar no meu corpo, mas mesmo assim, por pouco, conseguir sobreviver a cada naufrágio, procurei a razão do recomeço e do melhor, e encontrei-te. Encontrei-te na barreira entre o possível e o impossível, onde o céu e o mar se tocam, e se entregam um ao outro. A minha maior e constante força foste tu, a ternura que por ti nunca morria, a noção de que o meu olhar ao ver-te, brilhava incansavelmente. Quem és tu miúda? De onde vieste? Porque me deste vida, para depois me matares num só e cruel golpe? Porque não me deixaste ser levada pela corrente, para depois me afogares? Porque estancas-te o meu sangue, para me depois deixares deitada sobre a areia esvaiada em sangue? Os erros apagam cada gesto que ao longo de todo este tempo fiz por ti? O que sentes agora ao ver o meu olhar vazio e inerte? O quanto desesperante é quereres alguém, e simplesmente ele ter partido, por o teres morto por dentro? Choras todas as noites, como eu chorei? Sentes a minha falta, cais no chão e perguntas o porquê? Os teus sonhos trazem até ti a única coisa que conseguiu sobreviver às tuas investidas: as memórias. E sejam elas boas ou más, será a única forma de me levar até ti, não deixarei de te amar, apenas não o farei da mesma maneira. Não deixarei de te ajudar, apenas não o farei loucamente, e irei ser a ultima. Sim, a ultima, aquela que te irá ver a cair, lentamente, que verá o teu reino desmoronar-se, e quando pensares que não irei mais surgir, aparecerei no último segundo, como uma rosa que desabrocha juntamente com os seus espinhos. Apenas para te provar que já vi batalhas com finais felizes, mas a nossa batalha foi perdida, na força do tempo e da mágoa, no contorno do desespero e do cansaço. Estou cansada, não de lutar, mas por em cada luta que travo, saber que irá tudo acabar da mesma monótona maneira. Saber que como um castelo de areia, grão a grão, tudo voltará a cair, entre os meus dedos atónitos. E recomeço tudo de novo, mesmo sabendo que serás fraca ao ponto de voltar tudo a cair, apenas porque assim o queres, e fazes por isso. Saber que serás tu o mar e eu o céu, que apenas num ponto se encontram, quando o mar se espelha sob o céu, e entende que aquele é o seu verdadeiro lugar.

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