segunda-feira, 15 de março de 2010


E agora que olho para trás, parece que tudo não passa apenas de um sonho. Parece que todas aquelas pessoas que conheci tão bem, aquelas a quem amei de corpo e alma, são apenas fotografias, memórias que se recusam a abandonar-me, mas tão distantes que apenas parecem fotografias num álbum de alguém. Cada sorriso ainda tão nítido, cada abraço, cada momento em que muitas vezes prometi nunca deixar a pessoa, mas a verdade é que ela mesma me deixou, ou a vida a levou de mim. Não entendo como tanta gente me passou pelos dedos, e agora ao passar na rua, os meus olhos ofuscam ao vê-las, apenas por saber que foi um passado feliz, mas nada mais. E ainda me custa acreditar que te tive. Mas tu és diferente de todos aqueles que sorriem nas fotografias. Tu tens alguma coisa que não me permite deixar de olhar, de contemplar, e então as lágrimas caem. Não sei se de sentimento, mas caiem envolta nas memórias de sonhos e recordações distantes que um dia foram a minha rotina. E ao olhar para as fotografias que me sorris ou me abraças, eu consigo sentir o teu cheiro. Sim, eu consigo imaginar o teu toque, consigo ouvir nitidamente a tua voz, os teus sussurros um dia apaixonados. Tão real mas ao mesmo tempo tão inalcançável, parece tão impossível que eu te tenha tido comigo, e apenas comigo. Parece impossível cada noite que adormeci contigo ao telefone, apenas a dizeres-me coisas banais, mas que me enterneciam e faziam de mim a mais feliz. Parece impossível cada vez que deixei de sentir o corpo e perdi ao fôlego ao correr para ti, só para recuperar o batimento do meu coração, que sem ti parecia morrer aos pedaços. Parece tão impossível que me tenhas amado, que me tenhas mostrado tanto de ti, mas nunca impossível é eu ter-te amado! Pois eu amei-te como nunca mais ninguém amou, e talvez ainda ame. Em cada noite que imagino a tua voz, mas o meu telefone permanece intacto, sem qualquer sinal de vida. E nos meus sonhos, tu ainda chamas pelo meu nome, lentamente, eu tento absorver cada letra que ouço, como se disso dependesse a minha sobrevivência. Sou hoje uma sombra, uma parte do que fui e já não sou, sou apenas a sombra que te viu partir, impotente, magoada. Uma sombra que tenta acompanhar as curvas do teu corpo e caminhos, mas a imagem e a sombra já não correspondem. Tudo se foi, como um castelo de areia que se desfaz perante a imensidão de uma onde fresca e desconhecida.

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