
Às vezes pergunto-me se ainda te lembras daquelas tardes de Verão em que parecia só existir um nós. Pergunto-me se ainda te lembras das chamadas, das palavras, das mensagens, dos abraços, dos beijos, dos carinhos, das conversas, dos olhares, dos momentos. Pergunto-me se ainda te lembras do meu sorriso quando via os teus passos encaminhados na minha direcção, se ainda te lembras das horas que esperava por ti, nem que fosse para te ter nos teus braços apenas uns minutos. Se te lembras do primeiro beijo, do primeiro dia, do primeiro olhar, se te lembras como eu não te queria e de repente, apaixonei-me da maneira que não julgava mais ser possível. Os dias foram correndo e em tão pouco tempo levaste contigo tanto de mim, todo o meu amor, o meu tempo, a minha dedicação. Esperava um simples amor de Verão, daqueles que acabam com ele, repletos de bons momentos, emoções mas nunca sentimentos profundos. Mas tu conseguiste superar tudo isso, cada patamar. Foste, tal como um grande amor, a maior decepção. Hoje, envolta nesse olhar frio, nessa meia dúzia de troca de palavras de cortesia, eu tento encontrar uma vez mais o homem lindo do meu Verão, o homem que me cantava canções de amor e me ligava todas as noites, o homem que me protegia de tudo e de todos, o homem com quem eu aprendi muito. Por mais estranho que pareça, consegui adquirir contigo uma enorme lição de vida. Quer com a nossa história, quer com a tua estupidez que levou ao nosso fim, aos sonhos guardados na gaveta e a mais um coração desfeito. Foi apenas uma brincadeira, uma distracção, um passatempo? Fui uma boneca, um desafio? Sentias realmente tudo aquilo que dizias? Apenas querias provar mais do que aos outros, ao teu ego masculino tipicamente egoísta que eras capaz de conquistar a míuda nova? Não sei. As respostas deixaram de existir num turbilhão de perguntas angustiantes. Só tu as podes dar, mas da tua boca não sai uma única solução, e os teus actos soam-me como incomprensiveis. Como se uma barreira invisível se tivesse instalado entre nós e por muito que tente trepar, continuo intacta no mesmo lugar. Por vezes, o coração fala mais alto que a razão e penso em esperar-te, mais uma vez, as horas que forem precisas, tenciono chorar, gritar, tenciono bater-te, chamar-te cobarde, criança, dizer-te que nunca esperei que fosses assim, quando pensei conhecer um homem tão lindo. Outras vezes apenas penso em esperar, mais uma vez chorar mas tudo se resumir a um "Diz-me porquê, explica-me." Mas no que toca a ti, a minha cabeça deve vencer a batalha que trava com o coração,independentemente de tudo. Será que sentes as mesmas saudades que eu? Que ouves as nossas músicas e te sentes dormente num mundo e numa vida que não parece ser a tua ou aquela que alguma vez quiseste? Será que te deitas na cama e sentes um aperto no peito que exige a minha presença, embalado num demorado suspiro? Não, provavelmente é mais uma vez o coração que grita de saudade. Sempre neguei para mim a sobrevivência entre ilusões e aparências, mas o que hoje tomamamos como certo e verdadeiro, amanhã pode ser mentira. Então eu aparento ser-te completamente indiferente e vivo a todo o momento a ilusão de que poderás voltar, mas nunca passam disso mesmo, de aparências, de ilusões, apenas está tudo nublado e não consigo mais ver a saída ou como cheguei aqui. É engraçado como um amor nos pode mudar tanto assim. E se eu tivesse feito as coisas de maneira diferente? Pergunto-me frequentemente se a culpa será minha, mas na verdade foste tu que quebraste promessas, me mostraste sonhos pelos quais eu dava tudo para que se realizassem, mas não passavam de mentiras.
O conceito de tempo e espaço parece fugir-me entre os dedos. Passamos tanto mas ao mesmo tempo tão pouco, porque não ficaste? Tinha tanto para te dar, para te mostrar. Nunca devia ter entrado nesse jogo, nunca devia ter posto em jogo o meu coração, pois da mesma maneira repentina que entraste, saíste. Sem uma explicação, uma palavra de despedimento.
Nunca consigo retirar da minha cabeça aquela que aparentemente foi a nossa última tarde, tento relembrar e absorver cada palavra, cada gesto desse dia. Mas estranhamente apenas consigo relembrar fragmentos de palavras. “Para que nunca te esqueças de mim.” Depois um abraço, um abraço que agora que olho para trás, nunca me deste dessa maneira. Um abraço profundo, prolongado, aparentemente com amor. Depois um beijo, uma mão dada, um casaco teu que me dás. Fico a ver-te ir embora, com um enorme sorriso nos lábios e sem tirar os olhos de ti, até entrares. Não sei realmente se foi essa a maneira que mais poupou o meu sofrimento mas agora a minha mente enche-se de porquês, contracenado com as lágrimas que escorrem pela face. Quando te vejo, já não sorrio, já não te abraço, já não frequento os nossos locais para te esperar, mas o meu coração continua a palpitar loucamente, exactamente da mesma maneira. Mas os ventos que tiram, são os mesmos que nos oferecem algo que aprendemos a amar. Talvez não da mesma maneira, mas mais fortes, agora erguidos, experientes, mais crescidos e conscientes.






