domingo, 17 de outubro de 2010



Às vezes pergunto-me se ainda te lembras daquelas tardes de Verão em que parecia só existir um nós. Pergunto-me se ainda te lembras das chamadas, das palavras, das mensagens, dos abraços, dos beijos, dos carinhos, das conversas, dos olhares, dos momentos. Pergunto-me se ainda te lembras do meu sorriso quando via os teus passos encaminhados na minha direcção, se ainda te lembras das horas que esperava por ti, nem que fosse para te ter nos teus braços apenas uns minutos. Se te lembras do primeiro beijo, do primeiro dia, do primeiro olhar, se te lembras como eu não te queria e de repente, apaixonei-me da maneira que não julgava mais ser possível. Os dias foram correndo e em tão pouco tempo levaste contigo tanto de mim, todo o meu amor, o meu tempo, a minha dedicação. Esperava um simples amor de Verão, daqueles que acabam com ele, repletos de bons momentos, emoções mas nunca sentimentos profundos. Mas tu conseguiste superar tudo isso, cada patamar. Foste, tal como um grande amor, a maior decepção. Hoje, envolta nesse olhar frio, nessa meia dúzia de troca de palavras de cortesia, eu tento encontrar uma vez mais o homem lindo do meu Verão, o homem que me cantava canções de amor e me ligava todas as noites, o homem que me protegia de tudo e de todos, o homem com quem eu aprendi muito. Por mais estranho que pareça, consegui adquirir contigo uma enorme lição de vida. Quer com a nossa história, quer com a tua estupidez que levou ao nosso fim, aos sonhos guardados na gaveta e a mais um coração desfeito. Foi apenas uma brincadeira, uma distracção, um passatempo? Fui uma boneca, um desafio? Sentias realmente tudo aquilo que dizias? Apenas querias provar mais do que aos outros, ao teu ego masculino tipicamente egoísta que eras capaz de conquistar a míuda nova? Não sei. As respostas deixaram de existir num turbilhão de perguntas angustiantes. Só tu as podes dar, mas da tua boca não sai uma única solução, e os teus actos soam-me como incomprensiveis. Como se uma barreira invisível se tivesse instalado entre nós e por muito que tente trepar, continuo intacta no mesmo lugar. Por vezes, o coração fala mais alto que a razão e penso em esperar-te, mais uma vez, as horas que forem precisas, tenciono chorar, gritar, tenciono bater-te, chamar-te cobarde, criança, dizer-te que nunca esperei que fosses assim, quando pensei conhecer um homem tão lindo. Outras vezes apenas penso em esperar, mais uma vez chorar mas tudo se resumir a um "Diz-me porquê, explica-me." Mas no que toca a ti, a minha cabeça deve vencer a batalha que trava com o coração,independentemente de tudo. Será que sentes as mesmas saudades que eu? Que ouves as nossas músicas e te sentes dormente num mundo e numa vida que não parece ser a tua ou aquela que alguma vez quiseste? Será que te deitas na cama e sentes um aperto no peito que exige a minha presença, embalado num demorado suspiro? Não, provavelmente é mais uma vez o coração que grita de saudade. Sempre neguei para mim a sobrevivência entre ilusões e aparências, mas o que hoje tomamamos como certo e verdadeiro, amanhã pode ser mentira. Então eu aparento ser-te completamente indiferente e vivo a todo o momento a ilusão de que poderás voltar, mas nunca passam disso mesmo, de aparências, de ilusões, apenas está tudo nublado e não consigo mais ver a saída ou como cheguei aqui. É engraçado como um amor nos pode mudar tanto assim. E se eu tivesse feito as coisas de maneira diferente? Pergunto-me frequentemente se a culpa será minha, mas na verdade foste tu que quebraste promessas, me mostraste sonhos pelos quais eu dava tudo para que se realizassem, mas não passavam de mentiras.
O conceito de tempo e espaço parece fugir-me entre os dedos. Passamos tanto mas ao mesmo tempo tão pouco, porque não ficaste? Tinha tanto para te dar, para te mostrar. Nunca devia ter entrado nesse jogo, nunca devia ter posto em jogo o meu coração, pois da mesma maneira repentina que entraste, saíste. Sem uma explicação, uma palavra de despedimento.
Nunca consigo retirar da minha cabeça aquela que aparentemente foi a nossa última tarde, tento relembrar e absorver cada palavra, cada gesto desse dia. Mas estranhamente apenas consigo relembrar fragmentos de palavras. “Para que nunca te esqueças de mim.” Depois um abraço, um abraço que agora que olho para trás, nunca me deste dessa maneira. Um abraço profundo, prolongado, aparentemente com amor. Depois um beijo, uma mão dada, um casaco teu que me dás. Fico a ver-te ir embora, com um enorme sorriso nos lábios e sem tirar os olhos de ti, até entrares. Não sei realmente se foi essa a maneira que mais poupou o meu sofrimento mas agora a minha mente enche-se de porquês, contracenado com as lágrimas que escorrem pela face. Quando te vejo, já não sorrio, já não te abraço, já não frequento os nossos locais para te esperar, mas o meu coração continua a palpitar loucamente, exactamente da mesma maneira. Mas os ventos que tiram, são os mesmos que nos oferecem algo que aprendemos a amar. Talvez não da mesma maneira, mas mais fortes, agora erguidos, experientes, mais crescidos e conscientes.

sábado, 16 de outubro de 2010

Por vezes tenho medo daquilo que mais uma vez sem mim te podes tornar, de tudo aquilo que te tento ensinar se desmorone e na tua cabeça sejam implantados outros ideais. Tenho medo que não entendas que no teu olhar me perdi, e por vezes, quando a realidade chama por mim, a dor é muita. Tenho medo que na ânsia de quereres ser igual aos outros, te esqueças que marcaste a minha existência através do teu brilho, da tua diferença tão acentuada. Eu só queria que o tempo pudesse parar, ao nosso sabor, que entendas cada ferida que há muito tempo é conservada e nunca apagada, e que me assim me desses um novo e renovado motivo de continuar a lutar, eu não quero que esta corrente seja mais forte que nós. Porque quando não estás magicamente consigo sentir a tua presença, a tua mão na minha, os teus lábios encostados aos meus, e quando abro os olhos é devastador serem apenas imagens. Olha para mim, verdadeiramente, sente o quanto te desejo, o quanto eu tenho medo que os nossos erros levem tudo, como um castelo de cartas que com tanto carinho e esforço demorei a construir. Poderia ser outra qualquer pessoa, mas és tu. Aquele a quem depositei todas as esperanças, o meu destino, por acreditar em ti mais do ninguém. Por em ti trazeres a pureza, a ternura e subtileza de um dia de Primavera, e desde que aqui passaste a minha vida nunca mais foi a mesma. Quantas vezes por tão pouco te foste, e no silêncio da saudade aguardei que chegasses, me abraçasses e prometesses que tu, o meu eterno e ingénuo menino, ficarias aqui, resistindo aos mais fortes ventos e tempestades. Se eu pudesse, cada hora a teu lado, se transformaria num segundo, em cada lágrima tua eu faria um sorriso verdadeiro, pintado de fresco.

Eu tracei um caminho, eu deitei tudo para trás, tudo aquilo em que mais acreditava deixei paralisado no tempo, sem qualquer destino dado. Saberia meu amor, que seguirias como um pássaro lindo e selvagem para o sítio de onde te tirei, mas o sitio onde pertences. Que voltarias esperançado para as tuas queridas origens, e que ai encontrarias o carinho e a protecção dado desde o inicio. Eu entrei na tua rotina, fiz o teu mundo colorido e de pernas para o ar, fizeste de mim um novo e encantado ser. Como uma rosa, que juntamente com os seus espinhos, floresce numa quente manhã de Maio. Nunca mais fui a mesma e inocente criança que conheceste e em qual transformaste numa mulher. Depois de tantos erros, deveria dizer que me arrependo, para manter os meus fiéis ideias. Mas no mais fundo de mim, não o faço, nunca o fiz ou farei. Porque foste a peça mais importante do puzzle que esta vida pode ser, foste o meu sorriso mais profundo e a lágrima mais sentida. Talvez penses que estou longe, e que te negarei sempre o porto de abrigo que um dia te dei. Mas enganas-te, oh como te enganas, pressinto cada paço que dás, rezando para que seja o melhor. A minha vida nunca mais foi a mesma desde que por aqui passaste, agradeço-te por me teres dado a provar a intensidade e a magia de uma verdadeira e fogosa paixão, de um amor sem barreiras e limites, que nunca se quer acabar. Mas ambos sabemos que um dia, num infeliz e inadiável momento, teríamos que deixar aquele mundo que fizemos com todo o nosso coração. E teria acabar de uma maneira trágica e infeliz, para que não voltássemos ao começo. Ainda nos teus olhos, vejo o reflexo do menino que amei de corpo e alma, do menino por quem fiz as maiores loucuras, o menino que mais amei e desejei, o menino por quem mais sofri, o menino que um dia mais desejei proteger e dar uma vida melhor, aquele por quem me ultrapassei a mim própria. Por favor, olha para mim de verdade, vê o quanto ainda te desejo no meu intimo, vê o quanto sinto a falta dos teus carinhos e palavras cada noite. Vê o quanto despedaçada me deixas-te, e o quanto tivemos de procurar em outras pessoas aquilo que apenas nós poderíamos dar um ao outro. Vê bem a minha alma arder no inferno, vê bem o meu grito doloroso de revolta, que muitas vezes sofre uma recaída e implora que voltes para bem perto de mim, que o dia de hoje seja aquele em que nos beijamos a primeira vez. Mas depois, a dor é escondida na profundidade do meu olhar, onde sobressai agora apenas gelo, o sangue vai correndo friamente nas minhas veias, o cabelo preso, as lágrimas limpas, e o meu coração parece apenas bater novamente quando te vejo pelo canto do olho, e sei que ali está o homem da minha vida. O homem que apesar de me fazer feliz, me matou aos poucos, e eu só me quis poupar á dor que me davas, submetendo-me ao terrível destino de não te ter, á eterna e degradante saudade.

«Estás à vontade, a casa é tua, por dentro e por fora, cabeça, tronco e membros, carne e coração, tempo e alma.»


Hoje, apercebi-me do quanto significas para mim, nem eu sei como chegamos aqui. Hoje apercebi-me como as conversas e palavras voam, ao teu lado, num ritmo alucinante, como te conto tudo de mim e do que me rodeia, como te conto tão facilmente cada segredo, cada confidência. Hoje apercebi-me que nunca mais te posso deixar escapar entre os dedos, não posso que essas mesmas palavras se virem contra nós. Hoje percebi que não sei mais como viver sem ti, que um sorriso teu, forma imediatamente o meu. Apercebi-me da importância das conversas, das brincadeiras, das mãos dadas, dos abraços, do carinho. Apercebi-me que na hora de nos separarmos, eu só queria ter parado o tempo e ficar assim, sempre contigo. Com todo o tempo do mundo para mais um abraço, mais um carinho, mais uma loucura. Percebi a felicidade e o brilho dos olhos imediato logo depois de ter estado contigo, como me senti feliz, como me senti voar, sem que mais nada nem ninguém me pudesse estragar aquele momento. Não sei como explicar aquilo que me fizeste sentir ontem, não te sei explicar a quantidade de amor que eu senti explodir dentro do meu pequeno grande coração. Conheces todos os meus defeitos, conheces os erros que cometi contigo no passado, tal como eu os teus. Não te posso prometer, apesar de querer imenso, que vai durar muito tempo, ou se quer para sempre. Acho que eu mesma já não acredito no para sempre. Para sempre é muito tempo, talvez tempo demais. Para sempre é apenas a ultima frase de um final feliz nos contos de fadas. Mas dure o tempo que durar, nunca duvides que te amo muito, que és um dos meus grandes orgulhos, que és dos motivos de eu me conseguir levantar todos os dias com um grande sorriso, que tenho vontade de me manter em contacto contigo todos os santos dias. Eu só quero lutar sob qualquer maré que se possa ultrapassar no nosso caminho, quero mesmo muito ter-te comigo, e só comigo. És uma das poucas pessoas que faz o meu mundo girar, envolto de doces momentos e de muita felicidade. Amo-te, a ti, e a tudo que venha de ti. Obrigada.

Eu quis com todas as minhas forças, nunca antes conhecidas, proteger-te, esconder-te de qualquer dor ou aflição que se pudesse impor no teu caminho. Eu quis tomar-te entre os meus braços, mesmo que não fosse para sempre, queria que ficasses ali comigo, dia após dia, queria demonstrar todo o meu amor, o meu carinho, a minha admiração por ti. Eu queria dizer-te a maneira como ultrapassas todos os limites, como consegues sobrepor qualquer barreira e deixar-me fora de mim, queria dizer-te que se te tiver, eu não preciso de muito mais. Que o meu sorriso mais puro e verdadeiro, é formado por ti. Eu queria semear cada teu sorriso que me cativa e prende, me enrola em ti, eu queria enxugar cada lágrima, correr por cada teu sonho até perder o fôlego e deixar de sentir o corpo. Eu queria provar-te diariamente que te amo com todo o meu ser, que sempre amei durante estes anos, que quando te conheci começou de verdade a minha vida. Ela não começou no primeiro instante que abri os olhos, pois faltava a razão desta vida que ia seguir: tu. Não começou quando senti as primeiras dores, pois perder-te, ver-te longe de mim, foi o maior dos desgostos, ultrapassou qualquer dor física antes sentida. Não começou quando aprendi a falar, quando aprendi as minhas primeiras palavras, pois faltavas tu, para te dizer, olhos nos olhos, a palavra que melhor se aplica a ti, “amo-te.” Não começou quando dei os meus primeiros passos, pois o meu caminho foi feito para se cruzar com o teu, para quando eles se descruzassem eu caísse sem qualquer amparo, e nem os passos aprendidos servirão para me levantar. Todos os dias que eu sofri, todos os dias que me deixei perder nos meus medos infantis e nos meus sonhos demasiado arriscados e inexperientes, fizeste-me com a luz que sai de dentro de ti, entender que aquilo que senti por ti nunca foi um sonho, uma fantasia. Foste a minha felicidade em estado puro. Estar contigo foi como sentir um pedaço do céu, foi arriscar tudo, sem medo de perder. Preciso de ti para crescer ainda mais, para viver da melhor forma, eu não posso deixar nunca que te arranquem de mim meu tesouro. Esta distância é como se me cortasse a respiração e deixasse o meu coração estilhaçado no chão, congelado por essa frieza sinistra. Mas eu de ti, dos teus sonhos e planos, nunca desistirei. Sem bem do que falam, apenas pela mais pura das invejas. Sei bem o homenzinho lindo que és, sei melhor do que ninguém do que tu és capaz e confio em ti como não confio em ninguém.
Porquê que me prometes-te naquela tarde de calor que ficarias comigo para sempre? Porquê que me prometeste ser o primeiro a limpar as minhas lágrimas e a proteger-me de todos os meus medos e aflições? Porquê que estiveste comigo tão pouco tempo mas ao mesmo tempo como se durante uma vida? Porquê que me deixaste amar-te com todas as forças do meu ser nunca antes conhecidas, para depois me deixares perdida na areia, hipnotizada com um horizonte, uma miragem tão nítida, como se eu pudesse tocar-lhe, mas quando o estou quase a fazer tudo se desvanece? Não passa de uma nau bem ao longe, navegando entre mares e mundos desconhecidos, mundos encantados que um dia tentei fazer o meu lar. Pretendia fazer desta praia de areia fina e branca a nossa casa eterna, como um oásis aparentemente perfeito. Tudo esboçado sobre os nossos sonhos e o nosso suposto sentimento, mas doeu acordar sentindo a água fria na cara, uma onda revoltosa apenas a tentar dizer-me que apenas eu te amava, te queria, te sentia, sonhava contigo, vinte e quatro sobre vinte e quatro horas.


Hoje tentei gritar, esvaziar cada dor que guardo bem dentro do meu peito, cada medo que deixas-te em mim, por não poder realizar cada sonho pendente. Mas inesperadamente toda esta revolta e mágoa que se manifesta dentro do meu ser, apenas se confina a ele. A voz, rouca de um dia tanto gritar, fica acorrentada na minha garganta, e apenas nos meus olhos surge cada grito preso. Eu tentei dizer-te o quanto significas e o quanto precisava que cumprisses cada promessa de ficar comigo para sempre, no melhor e no pior. Pois julgo que cheguei ao pior, gelando as minhas veias, o semáforo permanece vermelho num cruzamento que é adiado e perigoso. Um cruzamento que me poderá levar a ti, que me poderá dar a voz e o sentido. Um cruzamento que me fará cantar a nossa mais bela melodia, aquela a quem peço a tanta gente que cante, mas apenas tu o fazes tão encantadoramente. A melodia que tu sabes de cor, apesar de muitas vezes o negares, a melodia que apenas tu completas de uma maneira que me parece levar para fora deste mundo. Canta-me nesta noite fria, deixa-me tocar na tua face e que aqui faça o calor mais meigo, deixa-me sentir que estás aqui e que serás meu uma vez mais. Mas este cruzamento trará algo ainda mais assustador, fará o meu coração explodir e estilhaçar-se uma vez mais em pequenos pedaços? Saberás como os juntar e completar, ou serás apenas mais um que os calca e parte cada vez mais? Tenho quem me faça sorrir, mas no meu sorriso reflecte-se a falta que me fazes. Aqui deixou de fazer calor, aqui não existe melodia, mas excertos de músicas que outros tentam fazer. Eu limito-me a existir, a seguir aquilo que me parece correcto, enquanto perco a voz. Enquanto o meu olhar gela perdidamente. Então a lágrima é escondida, o cabelo preso, a história oculta. Onde estarás tu esta noite? Onde está a tua mão protectora para me fazer seguir por este cruzamento? Saberás tu que acordo em cada fresca madrugada, com a tua imagem em mim, que as lágrimas secaram de tanto ter chorado a tua triste partida? Saberás que ninguém te substitui e me dá o brilho e a razão que dás? E todas aquelas coisas agora parecem ter deixado de fazer sentido, não me importa mais quem foste ou o que fizeste, deixaram de interessar os outros ou as suas negativas opiniões, porque a minha maior lição foi a tua partida. Sim, hoje rebolo neste conjunto de sentimentos para outros abstractos e inalcançáveis, para mim reais e duros. Sim, a cada dia tento gritar que te amei, sempre amei. Mas deixas-te de lá estar. É hora de crescer arduamente, uma vez mais. É hora de seguir este cruzamento, e estejas ou não depois dele, agradeço-te por teres enchido o meu coração de algo tão belo e grandioso, de teres tocado e preenchido cada pedaço. E por me teres deixado sem o teu calor, e aprender que nem sempre estás, por tanto mal que te fiz. Apenas queria que olhasses bem dento do meu olhar, onde reina a dor e o gelo, e visses aquilo que os outros não vêm mas tu sempre viste. Bem lá no fundo, vê que cresci, vê como estou louca de saudade, como te desejo a cada segundo, e como o meu sentimento é poderoso e verdadeiro, vê bem quem eu sou, sempre o soubeste. E se o sabes, não me deixes cair neste precipício de algo que não mata, mas corrói: a SAUDADE.
«O que mais dói quando se ama alguém é imaginar tudo o que não conseguimos realizar juntos. O que vivemos é um tesouro que nunca se apaga da memória, mas é o que não construímos que nos entristece e mata. Eu tenho saudades de tudo o que não vivi contigo.»

Tenho saudades daquilo que fomos, tenho saudades daquilo que sonhamos e ambicionamos ser. Tenho saudades das palavras que me faziam sentir viva, e acima de tudo feliz (...) Tenho saudades das tardes inteiras, tenho saudades das noites, tenho saudades dos abraços calorosos, tenho saudades do sentimento, de ti, de nós. Tenho saudades dos beijos, tenho saudades das gargalhadas pela madrugada dentro, tenho saudades dos segredos, das fotografias, tenho saudades das histórias, das músicas, das saídas, da alegria. Tenho saudades da ânsia de viver que apenas tu me eras capaz de dar. As lágrimas são limpas, o peito apertado, o cabelo preso, as fotografias guardadas na gaveta e tudo recomeça. Tudo recomeça como sempre sem ti. Os dias cinzentos mostram-no bem. Escrevo páginas e páginas para ti meu companheiro, mas permanecem todas elas acompanhando as fotografias e presentes, contracenando com um notável brilho nos olhos e um sorriso de outrora, na gaveta. E nessa mesma gaveta, eu tentei guardar todo o meu sentimento, eu tentei guardar as minhas memórias, os meus desejos que ardentemente me acompanham dia a dia. Mas não resultou. Sabes, talvez possas dizer que enlouqueci de vez, mas por vezes, quando olho o lado da cama que te costumavas deitar, onde sorrias para mim, cheio de paixão, eu consigo sentir o teu cheiro. Ele entranha-se em mim numa questão de segundos, e eu estendo a minha mão, como se quisesse guardar entre os meus dedos a tua fragrância, o teu mundo. Mas ela desaparece, é apenas a minha mente solitária que resta, movida por sonhos e desejos que deixei numa gaveta, mas eles nunca se apagam (...) Permanecem sólidos como o anel que me deste, fazendo-se notar. Mas aquilo que eu tenho mais saudades é daquilo que podíamos ter sido. Daquilo que nunca vivemos, nunca soubemos, daquilo que tanto planejamos e eu deixei escapar!

Vem até mim, neste dia em que o sol traz consigo toda a mágoa e saudade. Olha para mim da maneira que apenas tu o fazes, lendo a minha alma, vendo pelo meu olhar tudo aquilo que sou, sem armas, ao natural. Deixa-me envolver no teu abraço, o teu cheiro penetrar a minha pele sem qualquer tipo de autorização. Deixa o meu coração bater em uníssono com o teu, formando a melodia mais bela e desconhecida de sempre. Uma melodia mágica e selvagem, uma melodia com todo o amor, uma melodia repleta de saudade e mágoas afundadas durante dias a fio. Deixa-me entrelaçar a minha mão na tua, como tivessem sempre sido feitas para permanecer unidas, ouve tudo aquilo que o coração empurra em direcção à boca, calmamente, como se todo o mundo parasse no momento em que o meu olhar te toca. Como na primeira vez que te vi, como o olhar e o coração dançaram numa batida alucinante e apaixonada. Como senti encontrar a outra metade, o maior e mais importante pedaço de mim, quando os meus olhos te tocaram. Ouve, mesmo que pareça inútil. Ouve, dure o tempo que durar.