terça-feira, 2 de novembro de 2010

Tentativa.


Depois de mais um dia, aplicando a velha rotina, soltei um suspiro. Um suspiro sincero, sentido, um suspiro profundo, como se tivesse dado a volta a todo o meu cansaço e inquietação, contornasse o meu coração e os meus pensamentos, as minhas memórias e recordações mais felizes ou menos felizes, direccionando-se assim em direção aos lábios, que o fizeram sair.
As lágrimas deixaram de correr, muitas vezes pregam-se partidas, aparecendo subitamente, mas nunca permito que deslizem. Já nem elas têm força para escorrer, já não luto por causas perdidas. O nosso amor é uma delas. Apenas eu não via isso, apenas eu lutei com todas as minhas forças por ele, com todas as forças que eu tinha e não tinha, com toda a garra e sentimento, apenas eu corri ao longo do rio que a nossa história formou, não percebendo que para ti, já tinha passado à história.
Mais poderosas do que as promessas que te fiz, foram aquelas que fiz a mim própria, um dia. O meu coração ainda te pertence, mesmo que o meu olhar permaneça frio, mesmo quando te dirijo as palavras mais duras. Toda a revolta é acumulada na minha alma, e eu entendo-te. Entendo-te a ti mas não aquilo que connosco aconteceu, não entendo como horas a fio a olhar frente a frente foram esbanjadas em minutos, não entendo como te tornas-te numa pessoa falsa e vazia, não entendo como agora vejo que todos aqueles que à minha volta me tentaram avisar e pintar o teu verdadeiro ser, têm razão. A respiração intensifica, o coração palpita freneticamente e eu estendo-te a mão, eu quero que sejas meu novamente, eu quero que proves a todos que afinal és o meu menino, o mais puro, bonito e verdadeiro. Eu quero que proves a todos que valeu a pena lutar contra esta corrente, que valeu cada dia em que lutei por ti, por nós. Que ainda posso acreditar que traçamos um caminho sem fim. Eu quero acreditar que tu conservas esse tão grande pedaço de mim que levas na tua essência, que farás de tudo para não o amachucar. E cada vez pareço perder mais ar, balançando ao sabor das lágrimas, entendo que afinal o pior de ti, é uma presente realidade. Que muito de ti, não é nem metade daquilo que imaginava e desejava para ti. Mas sabes, ainda espero por ti. Porque quem ama, acredita. Porque ainda choro a cada noite por ti, e não consigo desistir. Permaneço ferida no meu canto mais escondido, sabendo que vi aquilo que ninguém viu. Que fui a espectadora mais presente e atenta, que pressenti cada tua queda, morrendo aos pedaços, rezando para que te levantasses com todo o teu brilho. Porque um dia, eu conheci o mundo dos teus olhos, e o universo maravilhoso do teu corpo, do teu mundo á parte. Do mundo que me fizeste questão de inocentemente mostrar, a mim e a quase mais ninguém. O coração bate, a mão é estendida, e eu enfrento-te prontamente, quero levar-te ao melhor caminho. E no fim, recuperada, quero que saibas que fui a única que nunca desisti da magia e da ternura que tens. O meu amor é incondicional, e tu corres em mim, então abraça-me, com toda á tua força. A partir de hoje, eu tentarei contigo levantar todas as esperanças perdidas, eu limparei as lágrimas das nossas almas, e provarei, mais do que a todos eles, mas a mim, que és das pessoas mais importantes que tenho em mim, e que nada me fará desistir, pois eu sei bem quem és. Conheço o teu fundo de verdade, tudo aquilo que tens para dar, mas guardas bem dentro de ti, num mundo que me atordoa e faz pedir mais, muito mais (...)
Um dia prometeste ficar comigo para sempre. E eu pensava, o para sempre não existe, e se existe eu nunca o constatei. Mas sinceramente sempre foste homem de cumprir todas as tuas promessas, de provar a verdade de cada palavra saída da tua boca. E eu deixei que fosses. Deixei que o meu para sempre se tornasse num vazio profundo. Viajo em pensamento, em estradas que eu procuro dentro do meu coração, tento perceber se este é o melhor caminho.
E no meio de tudo isto, não entendo como as palavras que me eram encaminhadas, são agora dela, como os momentos e dias, um dia meus, são dedicados a ela, como a tocas, a beijas, lhe dás a mão, a confortas e abraças, quanto tudo era meu e só meu. E acima de tudo quando tu prometeste que esse teu mundo seria eternamente nosso, onde prometeste amar-me sempre, onde me disseste que me amavas como ninguém, ou como nunca antes tinhas amado. Hoje, enquanto ouço as nossas músicas e rasgo as nossas fotos, entendo que por vezes desistir não é uma cobardia, mas uma decisão, apesar de dura, glorificante. Estou de partida, ou pelo menos tento estar.

domingo, 17 de outubro de 2010



Às vezes pergunto-me se ainda te lembras daquelas tardes de Verão em que parecia só existir um nós. Pergunto-me se ainda te lembras das chamadas, das palavras, das mensagens, dos abraços, dos beijos, dos carinhos, das conversas, dos olhares, dos momentos. Pergunto-me se ainda te lembras do meu sorriso quando via os teus passos encaminhados na minha direcção, se ainda te lembras das horas que esperava por ti, nem que fosse para te ter nos teus braços apenas uns minutos. Se te lembras do primeiro beijo, do primeiro dia, do primeiro olhar, se te lembras como eu não te queria e de repente, apaixonei-me da maneira que não julgava mais ser possível. Os dias foram correndo e em tão pouco tempo levaste contigo tanto de mim, todo o meu amor, o meu tempo, a minha dedicação. Esperava um simples amor de Verão, daqueles que acabam com ele, repletos de bons momentos, emoções mas nunca sentimentos profundos. Mas tu conseguiste superar tudo isso, cada patamar. Foste, tal como um grande amor, a maior decepção. Hoje, envolta nesse olhar frio, nessa meia dúzia de troca de palavras de cortesia, eu tento encontrar uma vez mais o homem lindo do meu Verão, o homem que me cantava canções de amor e me ligava todas as noites, o homem que me protegia de tudo e de todos, o homem com quem eu aprendi muito. Por mais estranho que pareça, consegui adquirir contigo uma enorme lição de vida. Quer com a nossa história, quer com a tua estupidez que levou ao nosso fim, aos sonhos guardados na gaveta e a mais um coração desfeito. Foi apenas uma brincadeira, uma distracção, um passatempo? Fui uma boneca, um desafio? Sentias realmente tudo aquilo que dizias? Apenas querias provar mais do que aos outros, ao teu ego masculino tipicamente egoísta que eras capaz de conquistar a míuda nova? Não sei. As respostas deixaram de existir num turbilhão de perguntas angustiantes. Só tu as podes dar, mas da tua boca não sai uma única solução, e os teus actos soam-me como incomprensiveis. Como se uma barreira invisível se tivesse instalado entre nós e por muito que tente trepar, continuo intacta no mesmo lugar. Por vezes, o coração fala mais alto que a razão e penso em esperar-te, mais uma vez, as horas que forem precisas, tenciono chorar, gritar, tenciono bater-te, chamar-te cobarde, criança, dizer-te que nunca esperei que fosses assim, quando pensei conhecer um homem tão lindo. Outras vezes apenas penso em esperar, mais uma vez chorar mas tudo se resumir a um "Diz-me porquê, explica-me." Mas no que toca a ti, a minha cabeça deve vencer a batalha que trava com o coração,independentemente de tudo. Será que sentes as mesmas saudades que eu? Que ouves as nossas músicas e te sentes dormente num mundo e numa vida que não parece ser a tua ou aquela que alguma vez quiseste? Será que te deitas na cama e sentes um aperto no peito que exige a minha presença, embalado num demorado suspiro? Não, provavelmente é mais uma vez o coração que grita de saudade. Sempre neguei para mim a sobrevivência entre ilusões e aparências, mas o que hoje tomamamos como certo e verdadeiro, amanhã pode ser mentira. Então eu aparento ser-te completamente indiferente e vivo a todo o momento a ilusão de que poderás voltar, mas nunca passam disso mesmo, de aparências, de ilusões, apenas está tudo nublado e não consigo mais ver a saída ou como cheguei aqui. É engraçado como um amor nos pode mudar tanto assim. E se eu tivesse feito as coisas de maneira diferente? Pergunto-me frequentemente se a culpa será minha, mas na verdade foste tu que quebraste promessas, me mostraste sonhos pelos quais eu dava tudo para que se realizassem, mas não passavam de mentiras.
O conceito de tempo e espaço parece fugir-me entre os dedos. Passamos tanto mas ao mesmo tempo tão pouco, porque não ficaste? Tinha tanto para te dar, para te mostrar. Nunca devia ter entrado nesse jogo, nunca devia ter posto em jogo o meu coração, pois da mesma maneira repentina que entraste, saíste. Sem uma explicação, uma palavra de despedimento.
Nunca consigo retirar da minha cabeça aquela que aparentemente foi a nossa última tarde, tento relembrar e absorver cada palavra, cada gesto desse dia. Mas estranhamente apenas consigo relembrar fragmentos de palavras. “Para que nunca te esqueças de mim.” Depois um abraço, um abraço que agora que olho para trás, nunca me deste dessa maneira. Um abraço profundo, prolongado, aparentemente com amor. Depois um beijo, uma mão dada, um casaco teu que me dás. Fico a ver-te ir embora, com um enorme sorriso nos lábios e sem tirar os olhos de ti, até entrares. Não sei realmente se foi essa a maneira que mais poupou o meu sofrimento mas agora a minha mente enche-se de porquês, contracenado com as lágrimas que escorrem pela face. Quando te vejo, já não sorrio, já não te abraço, já não frequento os nossos locais para te esperar, mas o meu coração continua a palpitar loucamente, exactamente da mesma maneira. Mas os ventos que tiram, são os mesmos que nos oferecem algo que aprendemos a amar. Talvez não da mesma maneira, mas mais fortes, agora erguidos, experientes, mais crescidos e conscientes.

sábado, 16 de outubro de 2010

Por vezes tenho medo daquilo que mais uma vez sem mim te podes tornar, de tudo aquilo que te tento ensinar se desmorone e na tua cabeça sejam implantados outros ideais. Tenho medo que não entendas que no teu olhar me perdi, e por vezes, quando a realidade chama por mim, a dor é muita. Tenho medo que na ânsia de quereres ser igual aos outros, te esqueças que marcaste a minha existência através do teu brilho, da tua diferença tão acentuada. Eu só queria que o tempo pudesse parar, ao nosso sabor, que entendas cada ferida que há muito tempo é conservada e nunca apagada, e que me assim me desses um novo e renovado motivo de continuar a lutar, eu não quero que esta corrente seja mais forte que nós. Porque quando não estás magicamente consigo sentir a tua presença, a tua mão na minha, os teus lábios encostados aos meus, e quando abro os olhos é devastador serem apenas imagens. Olha para mim, verdadeiramente, sente o quanto te desejo, o quanto eu tenho medo que os nossos erros levem tudo, como um castelo de cartas que com tanto carinho e esforço demorei a construir. Poderia ser outra qualquer pessoa, mas és tu. Aquele a quem depositei todas as esperanças, o meu destino, por acreditar em ti mais do ninguém. Por em ti trazeres a pureza, a ternura e subtileza de um dia de Primavera, e desde que aqui passaste a minha vida nunca mais foi a mesma. Quantas vezes por tão pouco te foste, e no silêncio da saudade aguardei que chegasses, me abraçasses e prometesses que tu, o meu eterno e ingénuo menino, ficarias aqui, resistindo aos mais fortes ventos e tempestades. Se eu pudesse, cada hora a teu lado, se transformaria num segundo, em cada lágrima tua eu faria um sorriso verdadeiro, pintado de fresco.

Eu tracei um caminho, eu deitei tudo para trás, tudo aquilo em que mais acreditava deixei paralisado no tempo, sem qualquer destino dado. Saberia meu amor, que seguirias como um pássaro lindo e selvagem para o sítio de onde te tirei, mas o sitio onde pertences. Que voltarias esperançado para as tuas queridas origens, e que ai encontrarias o carinho e a protecção dado desde o inicio. Eu entrei na tua rotina, fiz o teu mundo colorido e de pernas para o ar, fizeste de mim um novo e encantado ser. Como uma rosa, que juntamente com os seus espinhos, floresce numa quente manhã de Maio. Nunca mais fui a mesma e inocente criança que conheceste e em qual transformaste numa mulher. Depois de tantos erros, deveria dizer que me arrependo, para manter os meus fiéis ideias. Mas no mais fundo de mim, não o faço, nunca o fiz ou farei. Porque foste a peça mais importante do puzzle que esta vida pode ser, foste o meu sorriso mais profundo e a lágrima mais sentida. Talvez penses que estou longe, e que te negarei sempre o porto de abrigo que um dia te dei. Mas enganas-te, oh como te enganas, pressinto cada paço que dás, rezando para que seja o melhor. A minha vida nunca mais foi a mesma desde que por aqui passaste, agradeço-te por me teres dado a provar a intensidade e a magia de uma verdadeira e fogosa paixão, de um amor sem barreiras e limites, que nunca se quer acabar. Mas ambos sabemos que um dia, num infeliz e inadiável momento, teríamos que deixar aquele mundo que fizemos com todo o nosso coração. E teria acabar de uma maneira trágica e infeliz, para que não voltássemos ao começo. Ainda nos teus olhos, vejo o reflexo do menino que amei de corpo e alma, do menino por quem fiz as maiores loucuras, o menino que mais amei e desejei, o menino por quem mais sofri, o menino que um dia mais desejei proteger e dar uma vida melhor, aquele por quem me ultrapassei a mim própria. Por favor, olha para mim de verdade, vê o quanto ainda te desejo no meu intimo, vê o quanto sinto a falta dos teus carinhos e palavras cada noite. Vê o quanto despedaçada me deixas-te, e o quanto tivemos de procurar em outras pessoas aquilo que apenas nós poderíamos dar um ao outro. Vê bem a minha alma arder no inferno, vê bem o meu grito doloroso de revolta, que muitas vezes sofre uma recaída e implora que voltes para bem perto de mim, que o dia de hoje seja aquele em que nos beijamos a primeira vez. Mas depois, a dor é escondida na profundidade do meu olhar, onde sobressai agora apenas gelo, o sangue vai correndo friamente nas minhas veias, o cabelo preso, as lágrimas limpas, e o meu coração parece apenas bater novamente quando te vejo pelo canto do olho, e sei que ali está o homem da minha vida. O homem que apesar de me fazer feliz, me matou aos poucos, e eu só me quis poupar á dor que me davas, submetendo-me ao terrível destino de não te ter, á eterna e degradante saudade.

«Estás à vontade, a casa é tua, por dentro e por fora, cabeça, tronco e membros, carne e coração, tempo e alma.»


Hoje, apercebi-me do quanto significas para mim, nem eu sei como chegamos aqui. Hoje apercebi-me como as conversas e palavras voam, ao teu lado, num ritmo alucinante, como te conto tudo de mim e do que me rodeia, como te conto tão facilmente cada segredo, cada confidência. Hoje apercebi-me que nunca mais te posso deixar escapar entre os dedos, não posso que essas mesmas palavras se virem contra nós. Hoje percebi que não sei mais como viver sem ti, que um sorriso teu, forma imediatamente o meu. Apercebi-me da importância das conversas, das brincadeiras, das mãos dadas, dos abraços, do carinho. Apercebi-me que na hora de nos separarmos, eu só queria ter parado o tempo e ficar assim, sempre contigo. Com todo o tempo do mundo para mais um abraço, mais um carinho, mais uma loucura. Percebi a felicidade e o brilho dos olhos imediato logo depois de ter estado contigo, como me senti feliz, como me senti voar, sem que mais nada nem ninguém me pudesse estragar aquele momento. Não sei como explicar aquilo que me fizeste sentir ontem, não te sei explicar a quantidade de amor que eu senti explodir dentro do meu pequeno grande coração. Conheces todos os meus defeitos, conheces os erros que cometi contigo no passado, tal como eu os teus. Não te posso prometer, apesar de querer imenso, que vai durar muito tempo, ou se quer para sempre. Acho que eu mesma já não acredito no para sempre. Para sempre é muito tempo, talvez tempo demais. Para sempre é apenas a ultima frase de um final feliz nos contos de fadas. Mas dure o tempo que durar, nunca duvides que te amo muito, que és um dos meus grandes orgulhos, que és dos motivos de eu me conseguir levantar todos os dias com um grande sorriso, que tenho vontade de me manter em contacto contigo todos os santos dias. Eu só quero lutar sob qualquer maré que se possa ultrapassar no nosso caminho, quero mesmo muito ter-te comigo, e só comigo. És uma das poucas pessoas que faz o meu mundo girar, envolto de doces momentos e de muita felicidade. Amo-te, a ti, e a tudo que venha de ti. Obrigada.

Eu quis com todas as minhas forças, nunca antes conhecidas, proteger-te, esconder-te de qualquer dor ou aflição que se pudesse impor no teu caminho. Eu quis tomar-te entre os meus braços, mesmo que não fosse para sempre, queria que ficasses ali comigo, dia após dia, queria demonstrar todo o meu amor, o meu carinho, a minha admiração por ti. Eu queria dizer-te a maneira como ultrapassas todos os limites, como consegues sobrepor qualquer barreira e deixar-me fora de mim, queria dizer-te que se te tiver, eu não preciso de muito mais. Que o meu sorriso mais puro e verdadeiro, é formado por ti. Eu queria semear cada teu sorriso que me cativa e prende, me enrola em ti, eu queria enxugar cada lágrima, correr por cada teu sonho até perder o fôlego e deixar de sentir o corpo. Eu queria provar-te diariamente que te amo com todo o meu ser, que sempre amei durante estes anos, que quando te conheci começou de verdade a minha vida. Ela não começou no primeiro instante que abri os olhos, pois faltava a razão desta vida que ia seguir: tu. Não começou quando senti as primeiras dores, pois perder-te, ver-te longe de mim, foi o maior dos desgostos, ultrapassou qualquer dor física antes sentida. Não começou quando aprendi a falar, quando aprendi as minhas primeiras palavras, pois faltavas tu, para te dizer, olhos nos olhos, a palavra que melhor se aplica a ti, “amo-te.” Não começou quando dei os meus primeiros passos, pois o meu caminho foi feito para se cruzar com o teu, para quando eles se descruzassem eu caísse sem qualquer amparo, e nem os passos aprendidos servirão para me levantar. Todos os dias que eu sofri, todos os dias que me deixei perder nos meus medos infantis e nos meus sonhos demasiado arriscados e inexperientes, fizeste-me com a luz que sai de dentro de ti, entender que aquilo que senti por ti nunca foi um sonho, uma fantasia. Foste a minha felicidade em estado puro. Estar contigo foi como sentir um pedaço do céu, foi arriscar tudo, sem medo de perder. Preciso de ti para crescer ainda mais, para viver da melhor forma, eu não posso deixar nunca que te arranquem de mim meu tesouro. Esta distância é como se me cortasse a respiração e deixasse o meu coração estilhaçado no chão, congelado por essa frieza sinistra. Mas eu de ti, dos teus sonhos e planos, nunca desistirei. Sem bem do que falam, apenas pela mais pura das invejas. Sei bem o homenzinho lindo que és, sei melhor do que ninguém do que tu és capaz e confio em ti como não confio em ninguém.
Porquê que me prometes-te naquela tarde de calor que ficarias comigo para sempre? Porquê que me prometeste ser o primeiro a limpar as minhas lágrimas e a proteger-me de todos os meus medos e aflições? Porquê que estiveste comigo tão pouco tempo mas ao mesmo tempo como se durante uma vida? Porquê que me deixaste amar-te com todas as forças do meu ser nunca antes conhecidas, para depois me deixares perdida na areia, hipnotizada com um horizonte, uma miragem tão nítida, como se eu pudesse tocar-lhe, mas quando o estou quase a fazer tudo se desvanece? Não passa de uma nau bem ao longe, navegando entre mares e mundos desconhecidos, mundos encantados que um dia tentei fazer o meu lar. Pretendia fazer desta praia de areia fina e branca a nossa casa eterna, como um oásis aparentemente perfeito. Tudo esboçado sobre os nossos sonhos e o nosso suposto sentimento, mas doeu acordar sentindo a água fria na cara, uma onda revoltosa apenas a tentar dizer-me que apenas eu te amava, te queria, te sentia, sonhava contigo, vinte e quatro sobre vinte e quatro horas.


Hoje tentei gritar, esvaziar cada dor que guardo bem dentro do meu peito, cada medo que deixas-te em mim, por não poder realizar cada sonho pendente. Mas inesperadamente toda esta revolta e mágoa que se manifesta dentro do meu ser, apenas se confina a ele. A voz, rouca de um dia tanto gritar, fica acorrentada na minha garganta, e apenas nos meus olhos surge cada grito preso. Eu tentei dizer-te o quanto significas e o quanto precisava que cumprisses cada promessa de ficar comigo para sempre, no melhor e no pior. Pois julgo que cheguei ao pior, gelando as minhas veias, o semáforo permanece vermelho num cruzamento que é adiado e perigoso. Um cruzamento que me poderá levar a ti, que me poderá dar a voz e o sentido. Um cruzamento que me fará cantar a nossa mais bela melodia, aquela a quem peço a tanta gente que cante, mas apenas tu o fazes tão encantadoramente. A melodia que tu sabes de cor, apesar de muitas vezes o negares, a melodia que apenas tu completas de uma maneira que me parece levar para fora deste mundo. Canta-me nesta noite fria, deixa-me tocar na tua face e que aqui faça o calor mais meigo, deixa-me sentir que estás aqui e que serás meu uma vez mais. Mas este cruzamento trará algo ainda mais assustador, fará o meu coração explodir e estilhaçar-se uma vez mais em pequenos pedaços? Saberás como os juntar e completar, ou serás apenas mais um que os calca e parte cada vez mais? Tenho quem me faça sorrir, mas no meu sorriso reflecte-se a falta que me fazes. Aqui deixou de fazer calor, aqui não existe melodia, mas excertos de músicas que outros tentam fazer. Eu limito-me a existir, a seguir aquilo que me parece correcto, enquanto perco a voz. Enquanto o meu olhar gela perdidamente. Então a lágrima é escondida, o cabelo preso, a história oculta. Onde estarás tu esta noite? Onde está a tua mão protectora para me fazer seguir por este cruzamento? Saberás tu que acordo em cada fresca madrugada, com a tua imagem em mim, que as lágrimas secaram de tanto ter chorado a tua triste partida? Saberás que ninguém te substitui e me dá o brilho e a razão que dás? E todas aquelas coisas agora parecem ter deixado de fazer sentido, não me importa mais quem foste ou o que fizeste, deixaram de interessar os outros ou as suas negativas opiniões, porque a minha maior lição foi a tua partida. Sim, hoje rebolo neste conjunto de sentimentos para outros abstractos e inalcançáveis, para mim reais e duros. Sim, a cada dia tento gritar que te amei, sempre amei. Mas deixas-te de lá estar. É hora de crescer arduamente, uma vez mais. É hora de seguir este cruzamento, e estejas ou não depois dele, agradeço-te por teres enchido o meu coração de algo tão belo e grandioso, de teres tocado e preenchido cada pedaço. E por me teres deixado sem o teu calor, e aprender que nem sempre estás, por tanto mal que te fiz. Apenas queria que olhasses bem dento do meu olhar, onde reina a dor e o gelo, e visses aquilo que os outros não vêm mas tu sempre viste. Bem lá no fundo, vê que cresci, vê como estou louca de saudade, como te desejo a cada segundo, e como o meu sentimento é poderoso e verdadeiro, vê bem quem eu sou, sempre o soubeste. E se o sabes, não me deixes cair neste precipício de algo que não mata, mas corrói: a SAUDADE.
«O que mais dói quando se ama alguém é imaginar tudo o que não conseguimos realizar juntos. O que vivemos é um tesouro que nunca se apaga da memória, mas é o que não construímos que nos entristece e mata. Eu tenho saudades de tudo o que não vivi contigo.»

Tenho saudades daquilo que fomos, tenho saudades daquilo que sonhamos e ambicionamos ser. Tenho saudades das palavras que me faziam sentir viva, e acima de tudo feliz (...) Tenho saudades das tardes inteiras, tenho saudades das noites, tenho saudades dos abraços calorosos, tenho saudades do sentimento, de ti, de nós. Tenho saudades dos beijos, tenho saudades das gargalhadas pela madrugada dentro, tenho saudades dos segredos, das fotografias, tenho saudades das histórias, das músicas, das saídas, da alegria. Tenho saudades da ânsia de viver que apenas tu me eras capaz de dar. As lágrimas são limpas, o peito apertado, o cabelo preso, as fotografias guardadas na gaveta e tudo recomeça. Tudo recomeça como sempre sem ti. Os dias cinzentos mostram-no bem. Escrevo páginas e páginas para ti meu companheiro, mas permanecem todas elas acompanhando as fotografias e presentes, contracenando com um notável brilho nos olhos e um sorriso de outrora, na gaveta. E nessa mesma gaveta, eu tentei guardar todo o meu sentimento, eu tentei guardar as minhas memórias, os meus desejos que ardentemente me acompanham dia a dia. Mas não resultou. Sabes, talvez possas dizer que enlouqueci de vez, mas por vezes, quando olho o lado da cama que te costumavas deitar, onde sorrias para mim, cheio de paixão, eu consigo sentir o teu cheiro. Ele entranha-se em mim numa questão de segundos, e eu estendo a minha mão, como se quisesse guardar entre os meus dedos a tua fragrância, o teu mundo. Mas ela desaparece, é apenas a minha mente solitária que resta, movida por sonhos e desejos que deixei numa gaveta, mas eles nunca se apagam (...) Permanecem sólidos como o anel que me deste, fazendo-se notar. Mas aquilo que eu tenho mais saudades é daquilo que podíamos ter sido. Daquilo que nunca vivemos, nunca soubemos, daquilo que tanto planejamos e eu deixei escapar!

Vem até mim, neste dia em que o sol traz consigo toda a mágoa e saudade. Olha para mim da maneira que apenas tu o fazes, lendo a minha alma, vendo pelo meu olhar tudo aquilo que sou, sem armas, ao natural. Deixa-me envolver no teu abraço, o teu cheiro penetrar a minha pele sem qualquer tipo de autorização. Deixa o meu coração bater em uníssono com o teu, formando a melodia mais bela e desconhecida de sempre. Uma melodia mágica e selvagem, uma melodia com todo o amor, uma melodia repleta de saudade e mágoas afundadas durante dias a fio. Deixa-me entrelaçar a minha mão na tua, como tivessem sempre sido feitas para permanecer unidas, ouve tudo aquilo que o coração empurra em direcção à boca, calmamente, como se todo o mundo parasse no momento em que o meu olhar te toca. Como na primeira vez que te vi, como o olhar e o coração dançaram numa batida alucinante e apaixonada. Como senti encontrar a outra metade, o maior e mais importante pedaço de mim, quando os meus olhos te tocaram. Ouve, mesmo que pareça inútil. Ouve, dure o tempo que durar.

sábado, 21 de agosto de 2010


Enquanto o meu coração se enche de emoções, sentimentos, palavras e os olhos transbordam a saudade escondida, digo tudo aquilo que sinto a outro alguém. Talvez esse outro alguém seja mais generoso e consiga dar-me aquilo que nunca deste. Talvez se eu lhe disser e mostrar tudo aquilo que tenho guardado para ti, esse alguém consiga levar-me ao mundo da felicidade, a um mundo onde tu deixas de existir. Onde eu deixo de te amar e querer, onde as palavras que lhe digo não são dirigidas a ti, mas mais que isso a um mundo onde não existem amores não correspondidos ♥

domingo, 21 de março de 2010


És como a minha droga preferida, como se não tivesse noção do que faço apenas pelo prazer, pela ânsia de sentir o vício. Preciso que alguém me arranque, me puxe de ti com toda a força. Preciso que venha muita gente e corte toda a nossa história pela raíz. Preciso de uma reabilitação, já que nunca posso alcançar o esquecimento. Preciso de me reabilitar da imagem que ainda tenho do teu primeiro sorriso, da maneira como me encaraste e sem eu saber, sem eu ver, levaste atado ao teu o meu coração. Nunca mais o encontrei (...) E aí começaram as loucuras. Começaram os telefonemas, começaram os beijos, começou uma rajada de momentos que pareciam segundos. Até que do nada tu desapareceste. Voltei a ligar, nunca deixei de desejar. Sem obter resposta deixei uma mensagem, tinhas que saber a verdade. Tinhas que saber que me rendi a ti, que me entreguei a ti como nunca o tinha feito. Mas talvez não tivesses acreditado. Regressei aos nossos síteos, gritei num silêncio ensurdecedor pelo teu nome, voltei aos lugares onde a tua presença era óbvia. Mas nada, encontrava-te por vezes mas permanecias frio e quase inatingivel. Como um pedestal a que eu nunca conseguia chegar. E hoje acabou. Não acabou o sentimento. Acabou a força. Não acabou a paixão. Acabou a mágoa. Não acabou o desejo. Abafaram-se os sonhos. A culpa não é tua. Não só tua e apenas tua. Então eu tento ir para o mais longíquo lugar, procuro a minha cura. Mas por vezes, nas horas de fracasso, ainda te vejo a chegar, a abraçar-me. Vejo-te comigo. Passo horas e horas a pensar, a lutar contra ti. E tento fazer-me lembrar que eu sou mais forte e vou conseguir. E quando me vires, levantada e curada, na rua, simplesmente sorri. Mas não faças nada, não digas nada. Não tentes voltar, a porta de aberta passou a encostada e depois a completamente fechada. E não há janela que te salve.

segunda-feira, 15 de março de 2010


E agora que olho para trás, parece que tudo não passa apenas de um sonho. Parece que todas aquelas pessoas que conheci tão bem, aquelas a quem amei de corpo e alma, são apenas fotografias, memórias que se recusam a abandonar-me, mas tão distantes que apenas parecem fotografias num álbum de alguém. Cada sorriso ainda tão nítido, cada abraço, cada momento em que muitas vezes prometi nunca deixar a pessoa, mas a verdade é que ela mesma me deixou, ou a vida a levou de mim. Não entendo como tanta gente me passou pelos dedos, e agora ao passar na rua, os meus olhos ofuscam ao vê-las, apenas por saber que foi um passado feliz, mas nada mais. E ainda me custa acreditar que te tive. Mas tu és diferente de todos aqueles que sorriem nas fotografias. Tu tens alguma coisa que não me permite deixar de olhar, de contemplar, e então as lágrimas caem. Não sei se de sentimento, mas caiem envolta nas memórias de sonhos e recordações distantes que um dia foram a minha rotina. E ao olhar para as fotografias que me sorris ou me abraças, eu consigo sentir o teu cheiro. Sim, eu consigo imaginar o teu toque, consigo ouvir nitidamente a tua voz, os teus sussurros um dia apaixonados. Tão real mas ao mesmo tempo tão inalcançável, parece tão impossível que eu te tenha tido comigo, e apenas comigo. Parece impossível cada noite que adormeci contigo ao telefone, apenas a dizeres-me coisas banais, mas que me enterneciam e faziam de mim a mais feliz. Parece impossível cada vez que deixei de sentir o corpo e perdi ao fôlego ao correr para ti, só para recuperar o batimento do meu coração, que sem ti parecia morrer aos pedaços. Parece tão impossível que me tenhas amado, que me tenhas mostrado tanto de ti, mas nunca impossível é eu ter-te amado! Pois eu amei-te como nunca mais ninguém amou, e talvez ainda ame. Em cada noite que imagino a tua voz, mas o meu telefone permanece intacto, sem qualquer sinal de vida. E nos meus sonhos, tu ainda chamas pelo meu nome, lentamente, eu tento absorver cada letra que ouço, como se disso dependesse a minha sobrevivência. Sou hoje uma sombra, uma parte do que fui e já não sou, sou apenas a sombra que te viu partir, impotente, magoada. Uma sombra que tenta acompanhar as curvas do teu corpo e caminhos, mas a imagem e a sombra já não correspondem. Tudo se foi, como um castelo de areia que se desfaz perante a imensidão de uma onde fresca e desconhecida.
Arranha-me, deixa o meu sangue ferver, e escorrer pelo meu corpo, para que essas marcas vermelhas sejam a única e ultima lembrança que tenho tua. Deixa-me chorar tudo esta noite, acusa-me e critica-me, até os meus olhos arderem e sucumbir a gelo. Arranca pedaço a pedaço do meu coração, trinca-o e entre os teus dentes sente o sabor da amargura, sente o quanto agora a minha alma é oca e incompleta, desde o dia em que partiste, entra pela ultima vez no meu intimo, mas desta vez leva tudo, desta vez não me deixes na angustia da metade e no clamar das lágrimas. Liberta-me em segundos, até a minha voz ficar rouca, deixa o meu espírito navegar entre o limite do céu e da terra, dá-me um novo grito, uma nova voz, para que agora, vazia, possa flutuar sozinha e inerte, até alcançar o fundo, até sentir os últimos raios de sol entrar na minha pele, e desta vez a água possa entrar dentro de mim, e abafar cada lembrança. Sentir o sal entrar lentamente, mas desta vez permanecer como anestesiada e morrer sem dor. Tira-me a mágoa do passado, que transparece no presente.
Eu fui vivendo e procurando a razão do meu sorriso, fui procurando a razão do meu sangue não parar de correr pelas minhas veias, e pelos meus pulmões ainda conseguirem digerir o pior e mais poluído ar. Por a água entrar no meu corpo, mas mesmo assim, por pouco, conseguir sobreviver a cada naufrágio, procurei a razão do recomeço e do melhor, e encontrei-te. Encontrei-te na barreira entre o possível e o impossível, onde o céu e o mar se tocam, e se entregam um ao outro. A minha maior e constante força foste tu, a ternura que por ti nunca morria, a noção de que o meu olhar ao ver-te, brilhava incansavelmente. Quem és tu miúda? De onde vieste? Porque me deste vida, para depois me matares num só e cruel golpe? Porque não me deixaste ser levada pela corrente, para depois me afogares? Porque estancas-te o meu sangue, para me depois deixares deitada sobre a areia esvaiada em sangue? Os erros apagam cada gesto que ao longo de todo este tempo fiz por ti? O que sentes agora ao ver o meu olhar vazio e inerte? O quanto desesperante é quereres alguém, e simplesmente ele ter partido, por o teres morto por dentro? Choras todas as noites, como eu chorei? Sentes a minha falta, cais no chão e perguntas o porquê? Os teus sonhos trazem até ti a única coisa que conseguiu sobreviver às tuas investidas: as memórias. E sejam elas boas ou más, será a única forma de me levar até ti, não deixarei de te amar, apenas não o farei da mesma maneira. Não deixarei de te ajudar, apenas não o farei loucamente, e irei ser a ultima. Sim, a ultima, aquela que te irá ver a cair, lentamente, que verá o teu reino desmoronar-se, e quando pensares que não irei mais surgir, aparecerei no último segundo, como uma rosa que desabrocha juntamente com os seus espinhos. Apenas para te provar que já vi batalhas com finais felizes, mas a nossa batalha foi perdida, na força do tempo e da mágoa, no contorno do desespero e do cansaço. Estou cansada, não de lutar, mas por em cada luta que travo, saber que irá tudo acabar da mesma monótona maneira. Saber que como um castelo de areia, grão a grão, tudo voltará a cair, entre os meus dedos atónitos. E recomeço tudo de novo, mesmo sabendo que serás fraca ao ponto de voltar tudo a cair, apenas porque assim o queres, e fazes por isso. Saber que serás tu o mar e eu o céu, que apenas num ponto se encontram, quando o mar se espelha sob o céu, e entende que aquele é o seu verdadeiro lugar.
A verdade é que quebrei a minha promessa, onde prometi nunca mais escrever para ti ou sobre qualquer sentimento de bom que poderia nutrir por ti, escrever contrariando a mentira que crio até para mim própria, tentando fazer dela tão convincente como se ela mesmo não passasse de algo verdadeiro. Mas escrevo páginas e páginas para ti, por vezes tenho esperança que se as lesses entendesses, palavra a palavra, descodificando cada sentimento, cada lágrima, cada noite repleta de saudades, e as vezes que eu te odeio. Sim, por vezes eu odeio-te. Quando fecho os olhos e lá estás tu. Tu estás a sorrir para mim, estendes-me os braços mas logo desapareces. Então eu retorno a fechar os olhos e lá começa tudo novamente. Deixas-me sempre cair nesta realidade fria e morta (...) Eu odeio-te quando eu olho para eles e eu vejo-te, como uma estrela que contemplamos bem ao longe, como uma estrela que nos deixa fascinados com o seu inalcançável brilho e aparente poder. Eu odeio-te quando eles me tocam e eu não sinto nada, eu odeio-te quando nas suas palavras tão apaixonadas eu desejo ouvi-las da tua boca, eu desejo lê-las no meu telemóvel provenientes do teu número. Eu odeio-te a cada lugar que vou, a qualquer hora, pois a tua imagem persegue-me e o teu nome ressoa na minha cabeça. Eu odeio-te por em todas as imagens boas do meu passado, tu constares lá, eu odeio-te por assombrares os meus sonhos de todas as noites presentes, eu odeio-te por planejar e sonhar inconscientemente com uma vida, um futuro contigo. Eu só precisava de ti, tu bastavas para eu ser a mais feliz, a mais completa. Será a minha última confissão, onde te digo aquilo que no fundo sempre soubeste mas sempre quiseste ouvir de todas as formas. Eu amei-te, eu amo-te e eu sempre te amarei, eu sempre te desejei, desejo e sei que sempre desejarei. És o grande amor da minha vida, e se um dia te magoei nunca o fiz por mal, ou intencionalmente. Eu arrependo-me de nem sempre te ter feito a minha primeira escolha, apesar de no fundo teres sido sempre o primeiro para mim, no meio de tudo e de todos. Nunca te quis deixar ir embora da minha vida, sempre que te vais substitui-te um vazio, uma solidão involuntária e constante, que nunca me abandona, que nunca parte, em busca de outros frágeis e apaixonados corações. Ainda estou á espera que me devolvas o coração, que te foi entregue há tanto tempo e que nunca mais voltou para casa, ou talvez tu sejas o seu lar, por muito que eu não queira, por muito que diga que não te amo, mas eu amo-te tanto, amo-te talvez mais do que nunca, amo-te com todas as minhas forças. Estava a espera que ele voltasse, com todas as suas novas cicatrizes, como muitas outras vezes, em que as tratei, em que as remendei. Mas ele ficou no outro lado da vida, na vida de quem não me quer consigo (...) Por vezes a minha única consolação é pensar que um dia me quiseste na tua vida, a teu lado. Desculpa, talvez tenha sido demasiado imatura, demasiado confusa e não ter reconhecido que eras tu o grande amor da minha vida. Que te correspondia com todo o amor, com toda a paixão. E hoje escrevo-te, será mais uma carta guardada, talvez nunca a leias, talvez nunca mais saibas o quanto eu te amo e necessito de ti, mas a verdade é que tu próprio seguiste a tua vida, não sei se precisas de mim, mas aparentemente estás bem assim. Eu tentei e tento apagar-te de mim, mas as marcas que outrora deixas-te em mim são como fortes raízes de uma árvore, que entranharam no meu coração, na minha alma, no meu ser. Por mais que as tente arrancar, a semente permanece, e vai germinando, nascendo do seu vente a mais bela planta, o mais belo fruto.