sábado, 16 de outubro de 2010



Hoje tentei gritar, esvaziar cada dor que guardo bem dentro do meu peito, cada medo que deixas-te em mim, por não poder realizar cada sonho pendente. Mas inesperadamente toda esta revolta e mágoa que se manifesta dentro do meu ser, apenas se confina a ele. A voz, rouca de um dia tanto gritar, fica acorrentada na minha garganta, e apenas nos meus olhos surge cada grito preso. Eu tentei dizer-te o quanto significas e o quanto precisava que cumprisses cada promessa de ficar comigo para sempre, no melhor e no pior. Pois julgo que cheguei ao pior, gelando as minhas veias, o semáforo permanece vermelho num cruzamento que é adiado e perigoso. Um cruzamento que me poderá levar a ti, que me poderá dar a voz e o sentido. Um cruzamento que me fará cantar a nossa mais bela melodia, aquela a quem peço a tanta gente que cante, mas apenas tu o fazes tão encantadoramente. A melodia que tu sabes de cor, apesar de muitas vezes o negares, a melodia que apenas tu completas de uma maneira que me parece levar para fora deste mundo. Canta-me nesta noite fria, deixa-me tocar na tua face e que aqui faça o calor mais meigo, deixa-me sentir que estás aqui e que serás meu uma vez mais. Mas este cruzamento trará algo ainda mais assustador, fará o meu coração explodir e estilhaçar-se uma vez mais em pequenos pedaços? Saberás como os juntar e completar, ou serás apenas mais um que os calca e parte cada vez mais? Tenho quem me faça sorrir, mas no meu sorriso reflecte-se a falta que me fazes. Aqui deixou de fazer calor, aqui não existe melodia, mas excertos de músicas que outros tentam fazer. Eu limito-me a existir, a seguir aquilo que me parece correcto, enquanto perco a voz. Enquanto o meu olhar gela perdidamente. Então a lágrima é escondida, o cabelo preso, a história oculta. Onde estarás tu esta noite? Onde está a tua mão protectora para me fazer seguir por este cruzamento? Saberás tu que acordo em cada fresca madrugada, com a tua imagem em mim, que as lágrimas secaram de tanto ter chorado a tua triste partida? Saberás que ninguém te substitui e me dá o brilho e a razão que dás? E todas aquelas coisas agora parecem ter deixado de fazer sentido, não me importa mais quem foste ou o que fizeste, deixaram de interessar os outros ou as suas negativas opiniões, porque a minha maior lição foi a tua partida. Sim, hoje rebolo neste conjunto de sentimentos para outros abstractos e inalcançáveis, para mim reais e duros. Sim, a cada dia tento gritar que te amei, sempre amei. Mas deixas-te de lá estar. É hora de crescer arduamente, uma vez mais. É hora de seguir este cruzamento, e estejas ou não depois dele, agradeço-te por teres enchido o meu coração de algo tão belo e grandioso, de teres tocado e preenchido cada pedaço. E por me teres deixado sem o teu calor, e aprender que nem sempre estás, por tanto mal que te fiz. Apenas queria que olhasses bem dento do meu olhar, onde reina a dor e o gelo, e visses aquilo que os outros não vêm mas tu sempre viste. Bem lá no fundo, vê que cresci, vê como estou louca de saudade, como te desejo a cada segundo, e como o meu sentimento é poderoso e verdadeiro, vê bem quem eu sou, sempre o soubeste. E se o sabes, não me deixes cair neste precipício de algo que não mata, mas corrói: a SAUDADE.

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